O empresário Andrigo Gaspar Wiegert, filho do ex-deputado estadual Pedro Satélite, requereu à Justiça a rejeição de uma denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE) que atribui participação em um esquema de fraude em licitação do transporte público intermunicipal. A suspeita é de recebimento de propina de empresas privadas na ordem de R$ 2,568 milhões. 

A ação tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas e é desdobramento da Operação Rota Final deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em maio de 2021.

A defesa do empresário sustenta que a petição inicial é inepta, pois não preencheu os requisitos necessários como as documentações exigidas em lei. Além disso, não apresenta elementos mínimos de prova para fundamentar uma condenação por improbidade administrativa. 

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“Naquilo que diz respeito ao defendente, todas as provas documentais que subsidiariam a versão disposta na petição inicial foram suprimidas pela parte autora que deixou de anexar à petição inicial documentos essências a sua propositura, sem os quais, a ação é inepta ou carente de justa causa, sendo por um lado, ou pelo outro, o caso da sua rejeição”, diz um dos trechos da petição.

O Ministério Público diz que Andrigo Wiegert atendeu interesses do pai, o ex-deputado Pedro Satélite, para receber propinas de empresas do transporte intermunicipal e assim defendê-las perante os órgãos públicos, principalmente em dificultar o andamento de uma licitação destinada ao setor. 

Rota Final

No total, 19 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público pela suspeita de corrupção e fraude em licitação referente ao transporte público intermunicipal. No rol de denunciados está o ex-governador Silval Barbosa, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco e o ex-deputado estadual Pedro Satélite. 

O esquema criminoso foi revelado no curso de um Inquérito Policial que reuniu cinquenta e quatro volumes de elementos de prova e que foi presidido pelos Delegados de Polícia do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), Marcelo Torhacs e Márcio Veras.

As investigações demonstraram a existência de uma Organização Criminosa, liderada pelo empresário Éder Augusto Pinheiro que, inclusive, teve sua prisão preventiva decretada e se encontra foragido há mais de dois meses.

Segundo a peça acusatória protocolada no Tribunal de Justiça, o grêmio criminoso tinha como principal objetivo impedir a implantação do novo Sistema de Transporte Coletivo Rodoviário Intermunicipal de Passageiros do Estado de Mato Grosso – STCRIP/MT e, para tanto, os integrantes da agremiação lançaram mão dos mais variados meios criminosos para inviabilizar a Concorrência Pública nº 01/2017 deflagrada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra).

Sem a realização do certame licitatório as empresas ligadas aos envolvidos prosseguiriam a explorar, em caráter precário, inúmeras linhas de transporte intermunicipal, mantendo, dessa forma, o domínio econômico do setor, conforma vinha ocorrendo há várias décadas e garantindo lucros exorbitantes em detrimento da adequada prestação do serviço.

A denúncia, contendo 286 laudas, foi apresentada pelo coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco Criminal), procurador de Justiça Domingos Sávio de Barros Arruda, e nela são narrados crimes de Organização Criminosa, Corrupção Ativa e Passiva, Lavagem de Dinheiro, Impedimento e Perturbação à Licitação, Afastamento de Licitantes, e Crime Contra a Economia Popular.

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