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O El Niño de 2026 bateu um novo recorde de aquecimento para outubro e deve continuar ganhando força nas próximas semanas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 ficou 2,47 °C acima da média, o maior desvio já registrado para esse mês. O resultado caracteriza o episódio como muito forte.
Mesmo com a marca histórica, a previsão é que o fenômeno ainda alcance sua maior intensidade. A Organização Meteorológica Mundial, OMM, agência especializada da Organização das Nações Unidas, projeta o pico do El Niño para dezembro de 2026. A probabilidade de que o episódio permaneça ativo até fevereiro de 2027 é próxima de 100%.
Quando o El Niño vai atingir o pico?
A projeção da OMM aponta que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial continuará se intensificando até dezembro. O episódio tem potencial para figurar entre os mais fortes desde, pelo menos, 1950. A previsão se refere ao mês em que o fenômeno deve alcançar sua maior intensidade, sem estabelecer um dia específico. Também não significa que seus efeitos terminarão logo depois: as mudanças na circulação atmosférica e nos padrões de chuva e temperatura podem se prolongar além do pico.
Aquecimento supera recorde de outubro de 1982 O levantamento do Inmet mostra que a marca de outubro de 2026 ultrapassou o recorde anterior para o mesmo mês, registrado em 1982, quando o desvio chegou a 2,07 °C. Aquele episódio se estendeu até o primeiro semestre de 1983 e entrou para a lista dos mais intensos já observados. Os números representam quanto a temperatura da água ficou acima da média de referência. Portanto, os 2,47 °C registrados neste ano correspondem ao aquecimento adicional, e não à temperatura total do oceano. Na última semana de outubro, o indicador semanal da região Niño 3.4 alcançou 2,5 °C acima da média. As medições semanais e mensais, porém, precisam ser analisadas separadamente, porque abrangem intervalos diferentes, conforme ressalta o meteorologista Leydson Dantas, do Inmet.
Outras áreas do Pacífico também registram extremos O avanço do aquecimento aparece em diferentes pontos monitorados pelos meteorologistas. Na região Niño 3, relevante para o acompanhamento das condições climáticas na América do Sul, a anomalia média de outubro atingiu 3,56 °C. Nessa mesma área, o desvio semanal chegou a 3,7 °C no fim do mês, superando o recorde de 3,6 °C observado em dezembro de 1982. A série de acompanhamento semanal começou em 1981. Já na região Niño 1+2, próxima às costas do Peru e do Equador, a diferença em relação à média alcançou 4,6 °C na última semana de outubro. O resultado igualou a maior marca da série semanal, registrada em junho de 1983. A divisão do Pacífico em áreas permite acompanhar onde o aquecimento se concentra e como evolui. A região Niño 3.4 é uma das principais referências internacionais para monitorar episódios de El Niño e La Niña.
Como o El Niño interfere no clima do Brasil?
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam anormalmente aquecidas. Essa alteração interfere na circulação da atmosfera e pode modificar a distribuição das chuvas e o comportamento das temperaturas em diferentes regiões brasileiras. O episódio atual começou a se configurar em junho de 2026 e apresentou rápida intensificação nos meses seguintes. Seus impactos variam conforme a época do ano, a força do aquecimento e a atuação de outros sistemas atmosféricos. Por isso, a intensidade do fenômeno, isoladamente, não determina a ocorrência de um temporal ou de uma onda de calor em uma cidade específica. O acompanhamento das previsões regionais continua necessário para avaliar os possíveis efeitos em cada localidade.
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