Espaço para comunicar erros nesta postagem
A Justiça Federal condenou o ex-secretário de saúde de Cuiabá, Huark Douglas Correa, a 3 anos e 7 meses de prisão, além do pagamento de multa de R$ 192 mil, por financiar e fazer parte de organização criminosa envolvida em fraudes na Secretaria de Saúde.
A ação penal é resultado da segunda fase da Operação Sangria, que apura fraudes em licitação, corrupção ativa e passiva, praticados por médicos, administrador de empresa, funcionários públicos vinculados a Secretaria de Estadual de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, através de contratos celebrados com as empresas usadas pela organização.
Outras cinco pessoas foram condenadas com penas alternativas, como serviços a comunidade: Fábio Liberali Weissheimer, Luciano Correa Ribeiro, Adriano Luiz Sousa, Kedna Iracema Fonteneli Servo e Celita Natalina.
Segundo a investigação, a organização mantinha influência dentro da administração pública, no sentido de desclassificar concorrentes, para que ao final, apenas empresas pertencentes a eles (Proclin/Qualycare) pudessem atuar livremente no mercado.
Na mesma decisão, o juiz Paulo Cézar Alves Sodré, da Sétima Vara Criminal da Justiça Federal em Cuiabá, substituiu a prisão por duas penas restritivas de direitos, sendo uma de prestação de serviços à comunidade e a outra de prestação pecuniária, a serem estabelecidas.

O magistrado absolveu o ex-secretário-adjunto de Saúde de Cuiabá, Flávio Alexandre Taques Da Silva, e o gestor administrativo do Grupo Prox, Fábio Alex Taques Figueiredo.
Segundo o processo, durante o período em que Huark esteve à frente da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, como diretor técnico, a partir de abril de 2015 e diretor geral em 2017, quando saiu para assumir o cargo de Secretário Municipal de Cuiabá, ele era sócio e recebia lucros e dividendos da empresa Proclin.
"Evidenciando assim, em tese, a incompatibilidade entre as duas funções por ele desempenhadas, é dizer, uma na iniciativa privada, outra no setor público, tendo as duas empresas feito negócios entre si, com a expressa assinatura do acusado Huark", diz trecho da ação.
Huark foi procurador da Proclin da Sociedade Matogrossense de Assistência em Medicina, na mesma época em que era médico da Prefeitura de Várzea Grande e havia sido exonerado do cargo de Secretário Adjunto de Saúde do Governo de Mato Grosso.
"Coincidentemente, após a outorga da procuração, foi nomeado Diretor Técnico da Empresa Cuiabana de Saúde Pública em 2015 e em 2017 nomeado Diretor Geral do estabelecimento hospitalar, conforme histórico cronológico supra", diz outro trecho.
Além disso, os condenados também atrapalharam as investigações, segundo o processo.
"Fábio Liberali deu ordens para apagar os e-mails que tinham ligação com Huark, e que a determinação era para destruir tudo que pudesse ligar as empresas Proclin, Qualycare com Huark. O interrogando [Adriano] confessa que apagou e-mails, arquivos de documentos, que trocou o HD Notebook, o que foi feito pela tecnologia de informação através de funcionários da Proclin", diz.
A situação teria acontecido quando os vereadores publicaram um dossiê que comprova a ligação do então secretário com as empresas, contrato em conta de participação que saiu na mídia.
Durante a investigação policial, a delegada da Defaz, Maria Alice Barros Martins Amorim, disse que os investigados destruíram, ocultaram e coagiram testemunhas, além de usar força política para atrapalhar a operação. Outros suspeitos, ainda, fizeram pagamentos pendentes para encobrir as fraudes.
Ainda conforme a Polícia Civil, ficou constatado que o grupo criminoso teria destruído provas e apagado arquivos de computadores para dificultar as investigações, além de ameaças feitas às testemunhas.
Prisão
Na primeira fase da operação, em dezembro de 2018, o ex- secretário municipal de Saúde, Huark Douglas Correia, foi alvo da polícia. Ele acabou afastado e exonerado do cargo um dia depois da operação.
Em setembro do mesmo ano, os vereadores de Cuiabá fizeram uma denúncia contra o secretário de Saúde de Cuiabá, Huark Douglas Correa, por improbidade administrativa.
Nossas notícias
no celular

JL Notícias