A presidente do PT em Mato Grosso, Rosa Neide, reconheceu que o partido “falhou muito” na estratégia de aproximação com o eleitorado do Estado e admitiu que o “dever de casa” da legenda não foi bem feito.

“É um casamento, são várias situações. Eu confio sempre na sabedoria do eleitor. Quando ele vota contra, ele tem uma expectativa, se essa expectativa foi assumida em função de uma narrativa ainda não compreendida, acho que abre um espaço para gente discutir. Nós no partido também falhamos muito”, disse em entrevista.

“[...] Queremos reunir, ampliar o debate com a juventude, fazer o nosso dever de casa, que muitas vezes não ficou bem feito”, afirmou.

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A declaração ocorreu ao ser questionada sobre a dificuldade histórica do PT em superar a resistência de parte dos eleitores mato-grossenses e sobre a meta de ampliar a votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado em 2026.

A dificuldade mencionada por Rosa Neide aparece nos resultados das últimas eleições presidenciais em Mato Grosso. Em 2022, Lula terminou o segundo turno no Estado com 34,92% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro (PL) recebeu 65,08%. Foram 652.786 votos para o petista contra 1.216.730 para Bolsonaro.

Rosa Neide afirmou que o partido perdeu parte da atuação direta com a população ao longo dos anos, especialmente quando seus integrantes passaram a ocupar espaços no governo.

Segundo ela, a legenda deixou em segundo plano o trabalho de base, com reuniões, encontros e formação política junto aos trabalhadores.

“Então, não é a população que está errada. A gente reconhece nossos erros também, nossos erros de militância”, disse.

Erro com o agro

Rosa Neide também reconheceu que o PT precisa melhorar a relação com o agronegócio, setor que tem forte peso econômico e influência política em Mato Grosso. O segmento é hoje majoritariamente alinhado a políticos e lideranças da direita e da extrema direita no Estado, o que amplia o desafio do partido para conquistar esse eleitorado.

Segundo ela, o PT não errou na política econômica voltada ao setor, mas poderia ter ampliado o diálogo e ouvido mais os produtores.

“O presidente Lula chamava muitos setores para conversar, principalmente com essa questão de taxação dos Estados Unidos, aproximou muito, mas ainda falta o diálogo, a conversa franca é o que mais ajuda a política a avançar”, disse.

“Ouvir do agro também algumas recomendações. [...] Acho que, tanto de um lado como outro, precisa aproximar mais”. 

FONTE/CRÉDITOS: midianews