Comandante-geral da Polícia Militar em Mato Grosso, o coronel Jonildo José de Assis saiu em defesa da corporação e dos 81 policiais militares alvo da “Operação Simulacrum”, deflagrada nesta quinta-feira (31) pela Polícia Civil e o Ministério Público Estadual.

“O que estão fazendo com os nossos policiais é um absurdo. Eles estão sendo acusados de execuções, quando atuavam em defesa da sociedade e da própria vida”, afirmou o comandante.

De acordo com Assis, os 24 homicídios investigados foram tirados de contexto, o que teria desvirtuado a realidade do que aconteceu nas ocasiões.

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“Os 24 casos de homicídios, que culminaram com essa operação, foram registrados em boletins de ocorrência e em eventos totalmente distintos, já eram objetos de apuração em Inquéritos Policiais Militares sob o controle do Poder Judiciário e Ministério Público. Os nossos policiais e oficiais estavam no combate, em defesa da sociedade. Agora, quem protegeu, resguardou o cidadão de bem, é tachado como bandido. Isso é uma inversão de valores que não vamos permitir que aconteça”, ressaltou.

Conforme o MPMT e a Polícia Civil, o grupo de militares é investigado pela morte de 24 pessoas, com evidentes características de execução, além da tentativa de homicídio de, pelo menos, outras quatro vítimas, sobreviventes.

Registros oficiais revelam que 23 dos 24 suspeitos mortos pela Polícia Militar, entre 2017 e 2020, possuíam extensas fichas criminais.

Juntas, as fichas criminais dos 23 suspeitos mortos apontam mais de 200 crimes cometidos nos últimos anos.

São crimes como homicídio, roubo, tráfico de drogas, corrupção de menores, porte ilegal de arma e associação criminosa, entre outros.

Alguns suspeitos também já tinham sido detidos com várias armas de fogo, como uma submetralhadora, pistolas e revólveres e dezenas de munições.

A operação faz parte das investigações realizadas em seis inquéritos policiais, já em fase de conclusão, relativos a supostos “confrontos” ocorridos em Cuiabá e Várzea Grande.

“Cada caso deve ser investigado em separado. Agora juntaram todo mundo, como se fosse uma grande quadrilha. São homens que colocam todos os dias a própria vida para defender a sociedade. Que estão frente a frente com bandido. Que saem de casa e não sabem se irão voltar, porque tem como único objetivo proteger o cidadão. Agora estão todos com o nome e sobrenome expostos na imprensa e o bandido que mata, estupra e rouba não pode divulgar o nome, o rosto a profissão, porque a lei protege”, reclamou o comandante.

O coronel Assis destacou que os policiais acusados atuam nas unidades especializadas da Polícia Militar e disse temer que operações como essa enfraqueçam a corporação.

“Quem vai querer ser um policial militar de ponta? Quem vai querer ir para a rua proteger a sociedade de uma ameaça real? Quem irá para um confronto ou entrar na mata para capturar criminosos, se não tem a certeza que o sistema está ao lado dele?”, questionou.

Acompanhamento da Corregedoria

Conforme o comandante da PM, desde o início da operação a Polícia Militar, através da Corregedoria e dos Comandos Regionais envolvidos, acompanha todas as conduções e oitivas.

Além disso, associações que representam a categoria disponibilizaram equipes jurídicas para acompanhar e defender os policiais acusados.

“Não podemos permitir que a imagem dos nossos homens seja jogada na lama. Eles estavam no exercício da função. Policial nenhum sai de casa para matar ninguém. Força letal só é usada para defender o cidadão ou a própria vida”, completou.