O incêndio que atingiu o antigo aterro sanitário de Primavera do Leste no último sábado (18) deixou um rastro de destruição no campo. Além dos danos ambientais, o fogo consumiu cerca de 80 hectares de palhada de milho, atingiu uma propriedade rural e causou um prejuízo direto estimado em mais de R$ 1 milhão ao setor agropecuário. Os impactos, no entanto, não devem parar por aí. Produtor afirmam que a produtividade da área queimada será afetada nas próximas safras e que a recuperação completa do solo poderá levar entre três e cinco anos.

O prejuízo poderia ter sido muito maior. As chamas avançaram rapidamente em direção à área produtiva e quase atingiram pivôs de irrigação, equipamentos de alto valor utilizados na lavoura.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Os equipamentos só não foram destruídos graças à rápida atuação dos funcionários da fazenda, que abriram aceiros para impedir que o fogo alcançasse as estruturas.

portalpva
portalpva

Para conter o incêndio, foram mobilizados tratores, caminhões-pipa, maquinários agrícolas, uma aeronave agrícola e até bombas costais, utilizadas no combate direto às chamas em áreas de difícil acesso.

Segundo o relatório do Corpo de Bombeiros, a operação reuniu dois caminhões da corporação, uma caminhonete operacional, seis caminhões-pipa, três tratores com grade, três uniportes com capacidade para três mil litros de água cada, uma pá carregadeira, uma aeronave agrícola e aproximadamente 30 pessoas, entre bombeiros militares, servidores da Prefeitura e funcionários da propriedade rural. Durante toda a ocorrência foram utilizados cerca de 400 mil litros de água no combate ao incêndio.

O fogo também atingiu um ecoponto onde pneus eram armazenados temporariamente para destinação à reciclagem. Segundo a Prefeitura, a permanência do material no local aumentou devido à redução da demanda da indústria recicladora.

Perdas continuarão nas próximas safras

Além da destruição imediata dos 80 hectares de palhada, os prejuízos deverão continuar sendo sentidos pelo produtor rural.

Com base em estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a área atingida pelo fogo pode registrar redução média de 10 sacas de soja por hectare na próxima safra e perdas entre 30 e 50 sacas de milho por hectare na segunda safra.

O produtor afirma que a recuperação da fertilidade do solo exigirá investimentos em manejo e poderá levar de três a cinco anos, período necessário para que a área recupere seu potencial produtivo.

Possível origem do incêndio

O relatório do Corpo de Bombeiros aponta como possível causa um curto-circuito na rede elétrica. Conforme a corporação, foi constatado que cabos de alta tensão passavam entre galhos de árvores que necessitavam de poda. A hipótese é que, com a ação do vento, os fios tenham entrado em contato, produzindo faíscas que atingiram a vegetação seca e deram início ao incêndio.

A Prefeitura de Primavera do Leste também informou que o incêndio teve início após faíscas provenientes da rede elétrica atingirem a vegetação seca, cenário agravado pelas altas temperaturas, baixa umidade do ar e ventos intensos. As chamas se espalharam rapidamente até alcançar o ecoponto de pneus existente no local.

portalpva
portalpva

Produtores da região afirmam que a concessionária Energisa já havia sido acionada mais de uma vez para realizar a poda das árvores próximas à rede elétrica, mas que o serviço não teria sido executado antes do incêndio.

O vigia do antigo aterro relatou à reportagem que havia solicitado a poda da vegetação ao menos três vezes antes do incêndio.

Em nota enviada ao Portal Primavera, a Energisa informou que as circunstâncias relacionadas ao incêndio estão sendo apuradas pelos órgãos competentes. A concessionária afirmou ainda que integra o Comitê de Gestão do Fogo, desenvolve ações permanentes de prevenção e mitigação de ocorrências que possam afetar a rede elétrica e presta apoio aos órgãos responsáveis pelo combate aos incêndios em Mato Grosso.

Área seguirá em monitoramento e passará por recuperação

Na tarde desta segunda-feira (20), a equipe de reportagem do Portal Primavera esteve no antigo aterro sanitário e constatou que as árvores localizadas sob a rede de alta tensão, apontadas como possível fator para o início do incêndio, já haviam sido retiradas.

A reportagem também verificou que, mesmo após três dias de combate, produtores rurais mantêm equipes de prontidão na propriedade atingida. Funcionários seguem monitorando as áreas queimadas para agir rapidamente caso surjam novos focos de incêndio.

No antigo aterro sanitário, duas guarnições do Corpo de Bombeiros permanecem trabalhando no chamado rescaldo, etapa realizada após o controle das chamas para eliminar focos ocultos, reduzir a temperatura dos resíduos e impedir que o incêndio volte a se espalhar.

Apesar de o fogo já estar controlado nas áreas de lavoura e vegetação, o incêndio ainda não foi totalmente extinto no interior do antigo aterro. Segundo o Corpo de Bombeiros, a grande quantidade de resíduos sólidos e material combustível acumulado dificulta a eliminação completa das chamas, exigindo monitoramento permanente até que todos os focos sejam extintos.

A Prefeitura informou que, após o resfriamento da área, será iniciada a limpeza do local, demolição do barracão danificado pelo incêndio, abertura de novos aceiros e outras medidas preventivas. O município também informou que possui um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) protocolado junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que prevê a recuperação ambiental definitiva do antigo lixão após aprovação do órgão ambiental.

Atualmente, o espaço não funciona como aterro sanitário. Segundo a Prefeitura, a área é utilizada apenas como transbordo temporário dos resíduos, que permanecem no local por até 24 horas antes de serem encaminhados para um aterro sanitário licenciado em outro município.

FONTE/CRÉDITOS: portalprimavera