A soja em Mato Grosso, mesmo com desafios climáticos ao longo do ciclo, superou as expectativas na safra 2025/26 e alcançou uma produção de 51,56 milhões de toneladas. O volume representa um crescimento de 1,31% em comparação às 50,89 milhões de toneladas colhidas no ciclo 2024/25 e encosta na projeção de 51,71 milhões de toneladas para o milho.

Os números foram apresentados nesta segunda-feira (6) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O balanço avaliou 103 municípios, com quase mil levantamentos de campo, em mais de 34 mil quilômetros percorridos ao longo de 71 dias de viagem.

O principal destaque da temporada, na avaliação do superintendente do Imea, Cleiton Gauer, foi a “resiliência”. Apesar dos bons resultados, ele ressalta que o excesso de chuvas na reta final da colheita impactou no trabalho em campo e na qualidade de grãos. “Dado os desafios que nós passamos, ainda assim o estado conseguiu alcançar índices produtivos muito parecidos com o ano passado”.

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De acordo com o levantamento, o estado registrou produtividade média de 66,03 sacas de soja por hectare, 9,23% a mais do que as 60,45 sacas projetadas inicialmente, rompendo pelo segundo ano consecutivo a barreira das 66 sacas. Na temporada 2024/25 o rendimento médio observado foi de 66,29 sacas por hectare.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, comenta que os números surpreenderam e que, inclusive, chegam a ser questionados por alguns produtores. Entretanto, segundo o gestor da entidade, além do Instituto percorrer as lavouras, uma parceria com a Associação foi realizada para o levantamento dos dados.

“Foi feita também em parceria com a Aprosoja, uma pesquisa na qual os próprios produtores responderam quando tinha mais ou menos 80% do andamento da colheita e acabou que no final ainda teremos um número positivo para média geral do estado”, explica o presidente da Aprosoja MT ao Canal Rural Mato Grosso.

Rentabilidade preocupa no campo

O cenário de rentabilidade para o produtor mato-grossense é de alerta. Segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, a situação financeira nas propriedades agravou-se no período pós-pandemia, marcando o início de um ciclo de forte pressão sobre os custos de produção e de desvalorização dos preços praticados no interior do Brasil.

Comparado com o ano passado, temos preços mais baratos e custos mais caros. No final do dia, dependendo da situação, se o produtor for arrendatário ou conforme o nível de investimento feito nos últimos anos, a conta pode não fechar em Mato Grosso”, afirma Gauer ao Canal Rural Mato Grosso.

Essa apreensão com a margem de lucro já se estende para o planejamento da próxima temporada. Mesmo com a produtividade elevada na safra atual, o setor segue atento ao aumento das despesas operacionais e às incertezas do mercado global. A perspectiva de fenômenos climáticos, como a probabilidade de um El Niño, adiciona mais um componente de risco para a composição da safra e da segunda safra no estado.

Desafios geopolíticos e custos de insumos

A falta de indicadores positivos para os preços das commodities no curto prazo é agravada pela instabilidade geopolítica internacional. Conflitos no Oriente Médio têm impacto direto no bolso do agricultor brasileiro, influenciando o valor de itens essenciais.

O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, destaca que insumos como nitrogenados e o óleo diesel possuem correlação direta com os preços do petróleo. De acordo com a geopolítica e as guerras em curso, a oferta tem diminuído, o que eleva os preços. Na safra 2026/27, as negociações estão praticamente paralisadas devido à inviabilidade, no momento, de planejar a compra de fertilizantes”, pontua Beber.

FONTE/CRÉDITOS: canalrural