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A nova era da produção de milho ganha força com tecnologias que priorizam a precisão e a análise de dados no campo. Em um cenário onde a janela climática é decisiva, a implementação de soluções integradas — que unem máquinas automatizadas a softwares de monitoramento — busca garantir que cada semente seja aproveitada ao máximo, reduzindo desperdícios e aumentando a rentabilidade do agricultor.
Para apresentar o futuro do setor, a John Deere organizou uma estrutura de 40 mil m² em Campinas (SP). O evento, que ocorre entre 23 de março e 1º de abril, deve reunir cerca de sete mil participantes e transforma conceitos tecnológicos em aplicações práticas. A exposição conta com telões imersivos e mais de 500 horas de conteúdo técnico para demonstrar o potencial da conectividade e da automação na agricultura moderna.
O destaque da mostra começa no estágio inicial da cultura: o plantio. A precisão nesta etapa é considerada fundamental para o sucesso do milho, uma planta que exige uniformidade na distribuição. De acordo com Fábio Andrade, especialista de marketing para plantio da John Deere, equipamentos como a plantadeira 3100 FT foram desenvolvidos para oferecer flexibilidade e agilidade no transporte entre talhões, além de adaptação a terrenos inclinados.
A eficiência operacional é impulsionada por dosadores de sementes avançados, como o MaxEmerge™ 5e e o ExactStand™. Este último permite que o plantio seja realizado em velocidades de até 12 km/h sem perder a qualidade da singulação — termo técnico que se refere à redução de sementes duplas ou falhas. “Quanto menos dupla e menos falha melhor”, explica Andrade ao projeto Mais Milho. “É simplesmente uma semente bem distribuída para que não haja competição entre plantas após a germinação e emergência”.
Gestão baseada em indicadores reais
Assim como o maquinário avança, as plataformas que concentram os dados coletados no dia a dia operacional também passam por atualizações constantes. O Operation Center, por exemplo, recebeu novas funcionalidades voltadas especificamente para o olhar preciso sobre a lavoura. A ferramenta permite monitorar desde a performance básica do trator — como RPM e consumo de combustível — até métricas complexas de uso de tecnologia.
Isabela Cocatto, gerente de marketing de produto da companhia, destaca que a qualidade do plantio agora pode ser acompanhada por indicadores como o tempo de contato da plantadeira com o solo e a taxa aplicada de fertilizantes. “Temos a possibilidade de comparar o mapa da taxa aplicada com o mapa de rendimento para entender se, onde apliquei realmente mais fertilizante, eu tive uma maior produtividade”, afirma a gerente.
A inteligência da plataforma auxilia na tomada de decisões assertivas ao cruzar dados históricos dos últimos cinco anos. Isso permite que o agricultor identifique se o progresso da safra está alinhado à janela climática ideal. Para o milho, um dos fatores críticos é a relação entre a produtividade e a data de semeadura.
“A gente sabe que, principalmente no Cerrado, o milho começa a ser plantado na segunda safra e temos uma complexidade operacional grande, porque estamos colhendo soja e precisamos entrar com o milho sob desafio climático. Cada dia que conseguimos antecipar traz uma maior produtividade”, pontua Isabela Cocatto à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Impacto na produção nacional
A evolução da produção de milho no Brasil está diretamente ligada ao aumento do rendimento operacional. A mecanização avançada permitiu que os produtores conseguissem posicionar melhor o plantio da segunda safra, aproveitando janelas de produtividade potencial elevada.
O agrônomo de soja, milho e algodão da John Deere para a América Latina, Bruno Gherardi, reforça que essa combinação de tempo e precisão tem impulsionado a cultura no país. “O Brasil evoluiu muito na produção de milho e a tecnologia de mecanização teve um papel fundamental nisso. É justamente esse posicionamento melhor da janela da segunda safra que nos ajudou a aumentar consideravelmente a nossa produção”, analisa.
A convergência entre agilidade operacional e análise de dados é apontada como o fator decisivo para a sustentabilidade da produção. Segundo os especialistas do setor, o avanço da mecanização e das ferramentas de precisão permite que o campo mantenha a estabilidade produtiva mesmo diante dos desafios climáticos e logísticos da segunda safra.
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JL Notícias
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